Tendência de aumento de desemprego assola a Construção Civil

Entre os diversos fatores que contribuem para o aumento do desemprego no país, a oneração da folha de pagamento é uma das principais, afirma a especialista Aline Coutinho Cabral Garcia Dias.

Com mais responsabilidades para arcar, o empregador acaba optando por reduzir o número de contratações como forma de manter a sobrevivência de sua empresa nesse mercado extremamente volátil e competitivo. Este fenômeno causa um impacto negativo sobre a vida profissional de trabalhadores que se encontram desempregados, sobre a saúde das empresas que não têm outra alternativa senão demitir ou contratar menos profissionais e, consequentemente, enfrentam revezes no que diz respeito à qualidade dos serviços prestados e sobre a economia que acaba por se prejudicar a médio prazo.

De uma forma geral, a sociedade termina bastante prejudicada, tendo que lidar com problemas decorrentes do desemprego, como a mendicância causadora, sobretudo, da violência urbana, analisa Aline Coutinho Cabral Garcia Dias.

A Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC) realizou durante anos uma espécie de política para que fosse ampliado o número de postos de trabalho no ramo da construção civil. De acordo com o atual presidente da CBIC, José Carlos Martins, foram reunidos durante muito tempo, vários esforços que visavam favorecer as contratações na construção civil. No entanto, em decorrência do aumento da carga tributária incidente sobre a folha de pagamento, esses esforços foram insuficientes.

Para Martins, as medidas atuais do governo no que dizem respeito a reonerar a folha de pagamento, é extremamente perniciosa, pois induz os trabalhadores a permanecerem na informalidade, sem garantias legais e sem seguridade alguma. Isso ocorre, por exemplo, em relação à Contribuição de Seguridade Social, que recaem sobre valores agregados, o que se torna bastante oneroso para diversas empresas, sobretudo para as de construção civil.

As expectativas para este ano são extremamente pessimistas. Estima-se que cerca de 500 mil postos de trabalho possam ser cortados. Um dos maiores problemas do segmento da construção civil, é justamente o risco da informalidade. Com estes cortes, muitos profissionais acabarão executando seus trabalhos no mercado informal, como medida de sobrevivência, comenta Aline Coutinho Cabral Garcia Dias.

Com o intuito de se amenizar a crise iminente, o Banco Central liberou o compulsório e reviu o cumprimento da exigibilidade, mas estes procedimentos ainda não são suficientes, afirma Martins. Para ele, ainda é necessário que concessões sejam feitas e que as iniciativas pública e privada interajam em consonância.

A CBIC organizou um projeto de iniciativa popular com o intuito de conter os gastos públicos. Consiste numa série de procedimentos que visam impedir que o dinheiro público escoe de forma desnecessária, como por exemplo, barrar projetos que aumentem despesas ou indiretamente as produza desnecessariamente, além de inibir programas que aumentem consideravelmente os custos na área.

Para Aline Coutinho Cabral Garcia Dias, é de extrema relevância que se estimulem as iniciativas que objetivem a redução de gastos para se preservar a qualidade da mão de obra no campo da construção civil e, principalmente que se mantenham os postos de trabalho que constituem uma responsabilidade do governo.

Fonte: R7