Obras públicas reanimam a construção civil

O início das grandes obras do governo federal, por conta dos investimentos em infraestrutura, deve reanimar as empresas de construção civil. A previsão é de uma retomada do crescimento dos investimentos, que deverão crescer até 5% acima do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos cinco anos. A curva, desta maneira, vai mudar, já que sob reflexo da crise financeira mundial, os investimentos em construção civil caíram 4,7% em 2012.

É o que prevê Luiz Antônio Medida, professor de Engenharia e consultor de construção civil da Universidade de São Paulo (USP), o ritmo de crescimento deverá retomar os patamares de 2008 à 2011 a partir do ano que vem. “Além das obras de infraestrutura para a Copa do Mundo, que elevará os aportes na construção, há também a previsão de ampliação das obras comerciais, residenciais e industriais nos arredores de projetos como trem de alta velocidade (TAV), expansão do Rodonael e Ferroanel”, detalhou.

Segundo ele, a queda ano passado foi motivada por diversos fatores no País. “Houve um período de turbulência da construção em 2012, motivadas tanto pelo excesso de lançamentos de 2011, no caso da construção residencial, quanto pela pisada no freio das grandes industriais multinacionais, que segurou a construção de parques logísticos”, explicou.

Sobre o cenário do mercado no ano passado, pesquisa da Consultoria ITC aponta que no ano passado, os aportes no setor de construção civil somaram US$ 401,01 bilhões, ante US$ 421,46 registrados em 2011. A desaceleração, no entanto, não intimida empresários que preveem crescimento moderado, mas consistente, para 2013 e 2014. “Houve um período de insegurança ano passado, que gerou menos lançamentos, no entanto, as empresas puderam investir em banco de terrenos”, declarou José Geraldo Gusmão, presidente da construtora Construpar.

Segundo o executivo, a empresa registrou em 2012 um crescimento em Valor Geral de Vendas (VGV) na casa dos 5%. “O crescimento acompanhou a alta da economia, mas foi menor do que o registrado nos últimos anos.”

Com o lançamento de um empreendimento misto em São Bernardo, a MBigucci obteve o maior crescimento da história da empresa, com volume de vendas 38% maiores do que o registrado nos últimos três anos. No total, foram comercializadas 1.081 unidades em 2012, com VGV de R$ 298 milhões. “Atualmente, a MBigucci constrói 36 torres residenciais em 19 empreendimentos, totalizando 1.886 unidades”, disse o presidente da empresa, Marcos Bigucci.

O resultado deve-se ao lançamento do Marco Zero, que envolve torres residenciais e comerciais em São Bernardo do Campo (SP). “Em menos de um mês vendemos 543 unidades.” Para este ano, o executivo prevê um crescimento na casa dos 30%. “Já temos projetos aprovados para serem lançados ainda este semestre.”

Divisão por segmento

A queda dos aportes do setor em 2012 foi verificada também no quesito número de obras, mas em alguns segmentos o cenário foi inverso. Imóveis residenciais, industriais e comerciais (edifícios, shoppings, hotéis, resorts, galpões, escolas, museus, teatros, portos, fóruns, hospitais terminais, aeroportos, rodovias e ferrovias) obtiveram crescimento.

Conforme a ITC, em 2012 foram 3.111 obras comerciais, ante aos 3.064 registrados em 2011. Na área comercial foram aportados ano passado US$ 112,29 bilhões nas obras, alta de 23,22% ante ao ano anterior. “2011 foi o ano dos prédios comerciais, setor que vinha recebendo menos investimentos nos últimos anos”, disse Heloísa Silva, professora de Economia da Universidade Paulista (Unip). Para ela, o boom da construção de shoppings e o começo dos investimentos nos aeroportos privatizados no País foram responsáveis pelo crescimento.

“A tendência é que este crescimento se mantenha nos próximos cinco anos, quando o País receberá grandes aportes para portos e ferrovias”, completou a acadêmica, lembrando que a construção de empreendimentos residenciais com espaços para comércio também deverão ser destaque quando desacelerar o crescimento dos shoppings.

Entre os imóveis industriais, a maior queda do ano, a redução foi de 15%. Passando de US$ 290,65 de aportes em 2011 para US$ 247,20 ano passado. Com relação ao número de obras, foram feitas 1.718 ano passado, ante 1.995 apuradas no ano anterior.

“A redução é explicada também em função da pisada no freio de gigantes dos mais variados setores da indústria em anunciar novos parques fabris”, diz Heloísa. Nas obras residenciais, os aportes caíram 6,89% passando de US$ 44,59 em 2011 para US$ 41,52 no último ano. “Esse valor reflete o grande número de lançamentos em 2011, quando o País sentiu uma grande investida geral as incorporadoras residenciais, muito em função do programa Minha Casa Minha Vida”, disse a especialista. Quanto ao número de obras, foram 6,5 mil em 2011, contra 6,08 mil ano passado.

Fonte: DCI Online São Paulo