Estudante cria projeto que reutiliza rejeitos na construção civil em MG

Desde criança, Gizelle Kersul Capaz, que hoje tem 21 anos, sonhava em ser engenheira civil e por meio da profissão, transformar a vida de outras pessoas. Na última semana ela viu esse desejo ganhar corpo por meio do 23º Prêmio SME (Sociedade Mineira de Engenheiros), de Ciência, Tecnologia e Inovação, em que ela conquistou o primeiro lugar com um projeto que reutiliza os rejeitos do quartzito na construção civil.

Com o projeto de iniciação científica orientado pelo professor José Gabriel Maluf Soler, a estudante do 8º de engenharia civil na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Poços de Caldas (MG), ganhou R$ 10 mil e o conhecimento necessário para o tornar viável. Ela conta que durante nove meses, dedicou-se a pesquisar a utilização do minério quartzito, encontrado no Sul de Minas em cidades como São Tomé das Letras (MG) e Três Corações(MG), diretamente na construção civil.

“Quando eu era criança, viajava muito para São Tomé das Letras com meus pais e sempre me interessei pelo tema. Meu pai é consultor ambiental e sempre me mostrou a utilização dos rejeitos como uma opção. Então, entendi que o quartzito poderia ser usado na construção civil e mais, na construção de casas populares, tornando-as mais sustentáveis e também economizando  no valor final”, comentou.

De acordo com o professor que a orientou, a reutilização do quartzito, além de diminuir o impacto ambiental, é economicamente viável. Durante a execução do projeto, ele orientou a estudante a criar tijolos e telhas feitos a partir do minério. “Quando ela trouxe o material, observamos que parecia muito com a pedra brita, vendo que ele pode substituir pedras, telhas e dá, inclusive, para fazer divisórias de ambiente. Nós fizemos os testes em relação à resistência, porosidade, entre outros”, disse Soler.

As pesquisas feitas pela estudante, que concorreu com outros 49 trabalhos de universidades de todo o estado, mostram que com a utilização do quartzito, que atualmente é descartado pelas mineradoras, pode-se reduzir em até 45% o custo de construção de uma casa popular. “O projeto abrange os aspectos econômico, ambiental e social. Além de reaproveitar o rejeito, para construir a casa popular, que é meu grande objetivo, teremos esses valores embutidos”, acrescentou a aluna.

O próximo passo, segundo Gizelle, é encontrar um investidor que possa viabilizar a construção de um protótipo de casa popular feita com os rejeitos. Em seguida, esta casa será analisada, estudada e caso seja viável, o projeto será realizado e até mesmo expandido. “Minha ideia inicial é fazer o protótipo em São Tomé das Letras, que é onde já existe o rejeito. Caso dê certo, podemos levar para outros lugares”, destacou.

Fonte: G1.com