Construção atrai startups 3D

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) está acompanhando, em parceria com o Senai Nacional (Projeto Tendências de Gestão, Tecnologia e Inovação da Construção), a criação de startups 3D no setor da construção, dedicadas à melhoria da qualidade de vida da população nos centros urbanos. As propostas de duas delas, a Urban 3D e a Inova House, foram apresentadas na reunião da Comissão de Materiais, Tecnologia e Qualidade (Comat) da CBIC no último mês de outubro, em Brasília, a empresários e técnicos ligados à temática da inovação. Inovadoras, essas empresas são formadas por empreendedores à procura de um modelo de negócios repetível e escalável com foco em uma solução para a questão da moradia social no País. A impressão 3D é um processo limpo. Só utiliza o material que vai ser impresso e solidificado A tecnologia consiste em mecanizar e automatizar o processo da construção civil.

A Urban 3D, fundada pela paulistana Anielle Guedes, 23 anos, tem como objetivo oferecer, em parceria com governos, prefeituras e empresas privadas, habitação sustentável não apenas nos centros urbanos, mas, também, em lugares onde a urbanização ainda não chegou. A empresa desenvolve tecnologia de impressão 3D para construir moradias de baixo custo. A ideia surgiu quando morou no campo da NASA (National Aeronautics and Space Administration), na Califórnia, e precisou elaborar trabalho para o seu programa de estudos, e foi reforçada quando trabalhou no IDDS (International Development Design Summit), onde, juntamente com engenheiros e pesquisadores do mundo inteiro, morou em cinco favelas e comunidades brasileiras com o objetivo de desenvolver soluções para as pessoas. Física e economista, a empreendora é também membro do Comitê Gestor da Norma Técnica de Resíduos Sólidos da ABNT. Seu objetivo é colocar de pé casas impressas em 3D. A prática já ocorre na China, com algumas amostras de casas construídas pelo processo.

“É possível construir moradias de baixo custo aliando desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade”, defende Anielle Guedes. Para dar certo, no entanto, é necessário regulação e interesse dos stakeholders e das indústrias em adotar a tecnologia. “A expectativa é ter piloto s de atuação da tecnologia de impressão 3D no mercado brasileiro já em 2016. Massivamente para atuar em quase todos os lugares, cerca de sete anos”, acredita.

No que se refere ao Minha Casa Minha Vida (MCMV), a paulistana destacou que a impressora 3D está sendo criada para trabalhar com a moradia social, que precisa ser feita de forma mais rápida, eficiente e barata. “É preciso ter políticas urbanas, não só a tecnologia de construção. Mas hoje, a empresa consegue melhorar a eficiência do processo em pelo menos quatro vezes e fazendo isso de forma 30% mais barata. A ideia é fazer a construção civil com 1/10 do tempo e 1/10 do custo. Assim conseguiremos atender a demanda de moradia social que temos no Brasil”, reforça.

REDUÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS

O debate também contou com a participação de representantes da startup Inova House 3D, de Brasília, Juliana Martinelli (CEO) e Bruna Figueiredo (Desenvolvimento de Material), estudantes de Engenharia Elétrica e Civil da Universidade de Brasília (UnB), respectivamente. A empresa promete inovação e sustentabilidade na construção civil, por meio da tecnologia de impressão 3D e com um processo construtivo inovador, sustentável e ágil, tornando mais acessível a moradia de baixa renda no Distrito Federal. Ao participar da reunião da Comat/CBIC, Juliana Martinelli CEO e a idealizadora da startup, destacou a “importância de se trabalhar em parceria com a indústria da construção civil para melhorar a questão da automatização no processo construtivo como um todo, diminuindo os impactos ambientais causados pela construção. O processo sugerido é baseado na técnica da impressão 3D. A partir de programas de CAD, a casa será desenhada tridimensionalmente. E com a utilização de softwares específicos para impressão 3D, esse modelo será reproduzido em tamanho real.

“A impressão de casa utilizando a tecnologia 3D é um processo a longo prazo, então a gente tem que trabalhar no material, na tecnologia”, diz. A Inova House trabalha em um projeto intermediário, onde trata de algumas outras dificuldades que a indústria tem”, destaca Juliana Martinelli. A ideia surgiu quando seu pai, militar, serviu em 2014 no Haiti, país que sofreu terremotos, e descobriu que uma empresa na China estava construindo 10 casas em um dia, pela tecnologia da impressora 3D, utilizando concreto, recicláveis e o próprio entulho gerado pela construção. A empresa conta com apoio institucional da CBIC, do Senai Nacional, da UnB e da ABNT para atender ao processo construtivo. A expectativa é de que a primeira casa esteja pronta em cinco anos utilizando essa tecnologia.

O presidente da Comat/CBIC, Dionyzio Klavdianos, considera boa a inovação, principalmente vindo de pessoas tão novas, movidas pelo empreendedorismo. “Apesar de no mundo o processo ainda estar no começo, as startups são bem vindas. Tudo que envolve inovação na construção é muito bom”, ressalta Klavdianos. Além disso, “a ideia de reduzir o custo da construção de uma moradia em 80% é muito boa”, reforça. Para Klavdian os, a preocupação social da empreendedora Anielle Guedes, talvez maior autor idade brasileira em construção utilizando impressão em 3D, e seus desafios são similares aos enfrentados há 10 anos pelo professor Behrokh Khoshnevis, da University of South Califórnia, que em setembro deste ano apresentou o tema durante palestra da Comissão de Materiais da CBIC no 87° Encontro da indústria da construção civil (Enic), em Salvador. Apenas agora Khoshnevis obteve autorização da universidade para montar a startup e ter de fato meios para também construir habitações utilizando impressora 3D.

Para Dionyzio, o avanço dessas startups deve ser acompanhado pela entidade. O assunto que desperta o interesse de todos os envolvidos no processo já está previsto para entrar na pauta dos trabalhos da Comat/CBIC no 88º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), maior e vento do setor, que será realizado em maio de 2016 em Foz no Iguaçu, no Paraná. No momento, as startups buscam interessados em financiar seus projetos.

Fonte: CBIC